CASA CKN 

Atlântida, litoral norte gaúcho, Brasil / 2010 / construído

 

Autores: Arq. Bruno Giugliani, Arq. Pablo Montero Merino

OBJETIVO DO PROJETO

Queríamos construir uma casa de veraneio pensada a partir dos seus espaços de convívio. Um lugar que fosse capaz de abrigar diversos usos e que fosse, ao mesmo tempo, genérico o suficiente para permitir a flexibilidade necessária à uma casa de praia. O coração do projeto é a sala de estar, para onde convergem todos os demais espaços. A partir dela organizamos cada um dos ambientes de forma a gerar espaços integrados, mas com identidade própria. No segundo pavimento respeitamos esse conceito permitindo que a sala tivesse um pé-direito maior ao centro da casa, cercado por duas suítes de cada lado. A integração com o exterior é mais percebida através das varandas junto a piscina. Amplas portas/janelas de correr permitem grande integração a área externa. Na saída da sala de estar criamos uma varanda que parece estar abraçada pela casa misturando a noção de espaço interno e externo. Todo este ambiente está voltado para o lago do condomínio, para onde obtemos as melhores vistas.

Em uma casa de veraneio não pode faltar uma área social que estimule o convívio, por isso se estudou a distribuição das peças, mas principalmente as conexões entre si e o espaço externo. Buscamos espaços fluidos e com grande integração visual, tanto no interior como no exterior.

BASES DO PROJETO

O projeto se ordena através de três faixas paralelas, a faixa central contém os espaços de recepção e lazer, enquanto as faixas laterais contêm espaços de trabalho e descanso. A faixa central foi concebida como um grande espaço aberto para onde convergem os demais espaços, um ambiente potencializado pela altura dupla e pelo grande telhado inclinado que o cobre.

APROVEITAMENTO DA LUZ E ILUMINAÇÃO NATURAL

A iluminação e ventilação naturais foram dois fatores importantes para a distribuição dos ambientes no projeto.  Todos os ambientes tem grandes aberturas de vidro posicionadas de maneira a aproveitar a luz natural e ao mesmo tempo proteger-se das cargas térmicas do sol. Nos valemos muito de pérgolas para evitar que o sol forte do verão incida diretamente nos vidros. Criamos também um sistema de ventilação natural unido por áreas verdes e sombreadas. Com os ambientes abertos foi possível fazer com que a brisa do litoral atravessasse a casa refrescando os ambientes. Cuidamos também para que o vento sempre entrasse através de uma área ajardinada, ou sombreada, para que assim entre ainda mais fresco.

A fachada oeste é a que recebe maior carga térmica. Dado a desconfortável combinação de calor e umidade da região, optamos por posicionar junto a esta fachada as áreas úmidas da casa como cozinha, lavanderia e banheiros, assim criamos uma espécie de barreira térmica que minimiza a elevação da temperatura no interior da casa.

MATERIAIS

A regra para esse projeto foi valer-nos de materiais naturais e de pouco manutenção. Por isso o tijolo a vista das fachadas, o porcelanato dos pisos, térreo e segundo andar. Acreditamos que uma casa de veraneio deve ter um cuidado especial quanto a durabilidade, resistência e manutenção dos materiais empregados.

O material com maior presença é o tijolo artesanal por seu valor estético e sua baixa manutenção.

Se utilizou vidros lisos transparentes laminados com 8 mm de espessura para portas janelas e vidro 6mm para demais esquadrias. Nas grandes aberturas se precisava de vidros seguros para evitar acidentes.

Para o telhado se utilizou garapeira, uma madeira de coloração média e de boa resistência estrutural.  Buscamos um tom que se integrasse com os demais materiais escolhidos e que nos permitisse um uso tanto interno quanto externo. Cobrimos esse madeiramento com telhas de demolição, recolhidas na região e reutilizadas na casa.

O revestimento do piso, como em todo o andar térreo, foi porcelanato portobello 90x90.

Nas paredes se utilizou reboco rústico e forro de gesso no teto.

ESCADA

A escada, além de comunicar os dois pavimentos da casa, serve também para dividir a sala do espaço de recepção e entrada da casa. Queríamos que a escada cumprisse um papel especial dentro da casa. Por este motivo tratamos sua forma de modo diferenciado. As elevações do começo têm dupla função, por um lado dão a impressão de que o piso se transforma em escada, e por outro serve de base para ocupar um espaço normalmente pouco aproveitável sob a escada com objetos de decoração.

A escada esta formada por degraus em balanço engastados em uma viga embutida na parede, com estrutura de aço pintada e a base dos degraus em pranchas de madeira.